HIPÓCRITA

PSICOPEDAGOGIA ATRAVÉS DA PALAVRA

“HIPÓCRITA”

“Orai Sem Cessar”. (1 Ts 5.17)

O apóstolo Paulo foi arrebatado e viu o Céu ainda em vida, vivenciou um magnífico momento. Toda essa questão com Paulo aconteceu porque ele teve uma visão incrível a respeito de coisas grandiosas de Deus. Essas visões foram tão grandiosas e incríveis que, para que não houvesse da parte dele qualquer glória sobre isso que lhe foi permitido ver, foi colocado nele um espinho na sua carne. Paulo orou ao Senhor de forma insistente para que fosse liberto desse incômodo. Porém, Deus lhe responde: “A Minha Graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Co 12.9)

Naturalmente, existe o processo de santificação, uma dinâmica cotidiana. Só que a santificação representa melhora a cada dia, não é estagnação, mas avanço. Por isso, a “ordenança”, o comando do apóstolo Paulo foi: “Orai Se, Cessar”. (1 Ts 5.17) A característica principal do Evangelho, e que demarca bem o período do Novo Testamento, definida como a bondade e o amor de Deus aplicados imerecidamente ao homem. Portanto, Graça é a Pessoa do próprio Deus. “E o menino crescia, e se fortalecia no espírito, cheio de sabedoria; e a Graça de Deus estava com Ele”. (Lc 2.40)

Crescer, fortalecer-se no espírito, cheio de sabedoria, assim aconteceu com profetas como Samuel, Elias, Eliseu, etc., e com Salomão em sabedoria, mas em Graça foi somente com o Senhor Jesus Cristo. O ministério de Paulo não foi destruído pelo mensageiro de Satanás, pelo espinho que o incomodava, porque a força de que ele necessitava vinha do próprio Espírito de Cristo, da benevolência, da misericórdia, da compaixão e clemência do Dom de Deus. Dessa forma, nenhuma adversidade conseguiria destruir o seu foco, pois, o mundo temporal resiste à destruição do poder maligno pela Graça Preservativa da Porta da Graça.  O reinado de Deus não é um conceito espacial nem estático, mas um conceito dinâmico.

Significa a soberania real de Deus em ação, primeiramente como oposta à soberania real humana, mas também a seguir como oposta a toda soberania no Céu e na Terra.  Portanto, é preciso ver as coisas como Deus vê e não como o ser humano vê. “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuida para que não caia”. (1 Co 10.20) Um indivíduo não tem que pensar para respirar porque a atmosfera exerce pressão nos seus pulmões e o força a respirar. Por isso é mais difícil prender a respiração do que respirar. Entretanto, existe uma atmosfera espiritual na Nova Aliança, Superior às outras, ou seja, um Deus introduzido na atmosfera terrestre: “Emanuel, Deus Conosco!” ”Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da Graça”. (Rm 6.14)

Como a linda árvore que dá frutos conforme sua origem, silenciosa se mostra e é vista por todos os olhos, tudo aquilo que parece difícil e desfavorável representa força. Uma comparação pode ajudar a entender o Ato da Graça. Cada som emitido pelo instrumento vem unido a uma determinada frequência que o define como tal nota, e, inversamente, cada nota realmente emitida soa. Daí que necessariamente, se o ser humano não estiver na Essência, não produzirá Graça. Que Graça é esta? É o perdão; e o perdão é a expressão maior do amor de Deus. Sois salvos pela Graça, pela Nova Aliança introduzida no meio dos homens através do sangue na Cruz. Paulo resumiu isso com muita propriedade: “Miserável homem que sou”. (Rm 7.24)

Quando a mente se ocupa das coisas temporais buscando nelas o seu fim, rebaixa-se a elas; mas quando se ocupa delas em ordem às bem-aventuranças, longe de rebaixar-se a Deus. Cada potência da alma é proporcionada a seu objeto: a potência auditiva não capta cores, a potência visual não atua sobre aromas, e o intelecto humano está acoplado ao corpo, e tem por objeto próprio a natureza das coisas existentes corporalmente na matéria. Mesmo as realidades mais espirituais são alcançadas através do sensível. Tudo o que nesta vida se conhece, é conhecido por comparações com as coisas sensíveis naturais. Nenhum filósofo até hoje foi capaz de abarcar sequer a essência de uma mosca. Portanto, as essências das coisas são desconhecidas ao homem, e ele é incapaz de expressar numa palavra todo o conteúdo essencial da palavra Graça.

A expressão verbal da Graça em cada língua, em um nível mais profundo, é da obrigação de retribuir um “Favor não Merecido”. É nesse contexto do caráter fragmentário da linguagem que se pode entender um dos significados essenciais para a compreensão da palavra “Agradecimento”, que é a retribuição e o reconhecimento do ser imperfeito que tende à perfeição. Portanto, somente é possível aproximar-se de Deus através da “Oração”, não por passos corporais, mas pela consideração da alma que é incorpórea e, no entanto, é forma de corpo. Por isso, o jejum não tem respaldo para obter bens materiais, sua finalidade é desligar-se da substancia material através do esquecimento imediato das necessidades físicas. O jejum não é nenhuma ordenança, por isso, sua prática se torna secundária, e enfatiza o reino espiritual, e é uma prática que interessa a quem pratica e para qual finalidade: “Fortalecimento da Alma”.

Oração e Jejum são sempre armas fortes para manter afastados os pensamentos ruins, derrubar fortalezas, e enfraquecem o poder das forças espirituais da maldade. O sacerdote Esdras e os que viajavam com ele precisavam de proteção para o que seria uma jornada longa e difícil. Esdras reuniu uma nova geração de exilados para que voltassem com ele, e fez periga viagem sem escolta. Esdras propõe aos exilados a fazer um jejum, porque ele havia dito ao rei que o seu Deus cuidaria dele e de seus companheiros. Dentro desse contexto, onde Deus recebe e atende o jejum do seu povo, o que agradou ao SENHOR foi a “humilhação” do povo na Presença do Altíssimo. O povo viajou até Jerusalém, somente pela Misericordiosa Graça de Deus. “Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e Ele nos atendeu”. (Esdras 8.23)

Todo pensamento surge no entendimento, e sempre é precedido por dor ou prazer, alegria ou desgosto, etc. Qualquer luta subconsciente, inconsciente, submersa, converte-se em uma trava para a libertação da alma. Só na ausência do EU é possível experimentar ISSO que não é do tempo. Esta ausência do tempo entra na experiência não verbal como “Eternidade”, e quando o Ego é dissolvido e o metrônomo neural interno cessa, o tempo fica em suspenso. A afetividade sonha com uma eternidade ilusória, mas a “oração” constrói uma eternidade real. O que fará a distinção é a ação. Esdras entendia sobre jejum. Ele sabia que quando sua alma o impedia de receber uma resposta de oração a Deus, ele poderia discipliná-la através do jejum. Portanto, corpo, alma e espírito andam juntos pela Graça, Deus Conosco.

Deus muda o “caráter” e também o “temperamento” do homem. Isso é o fruto que o Espírito Santo gera na alma. A alma é quem dirige o corpo. Quando o homem jejua ele está fazendo algo contrário ao desejo da alma. O homem sujeita-a a vontade de Deus e não à dela mesma. Assim, jejuar significa o espírito dizer a alma: o seu poder de escolha está muito forte e é preciso enfraquecê-la. Portanto, almas exaustas e desgarradas, denotam homens derrubados e prostrados no chão, como ovelhas que não têm Pastor. O Ego precisa compreender o que o jejum faz com ele, e não com Deus. Jejuar é abster-se de alimentos. Quando o homem fica sem comer determinado período, ele está disciplinando sua alma que, consequentemente, implicará em uma disciplina no corpo físico. Claro que quem melhor se prepara melhor se qualificará. O homem é um espírito, que possui uma alma, que habita em um corpo. Portanto, uma oração ininterrupta é colocar a ação da vontade humana de acordo com a vontade de Deus. “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração, vigiando com ações de Graça”. (Fp 4.6)

Todos os seres vivos participam do Puro Ato da Graça de Deus. A atividade de todos os seres decorre da sua natureza. A mulher germina, cresce, floresce e dá filhos porque é mulher. Está na sua Essência ser mulher. A mangueira germina, cresce, floresce e dá mangas porque é mangueira. Deus age perfeitamente como causa primeira, mas requer o agir da natureza como causa segunda. Uma lei ou princípio não pode ser mudado. Como um poder que nunca precisa de repouso, um fogo capaz de penetrar todas as coisas, uma substancia refinada imanente em todo o universo, contendo dentro de Si mesmo as condições e os processos, todo homem sábio ajusta sua vida na Graça da Sua Misericórdia, que “sustenta todas as coisas pela Palavra do Seu Poder.” (Hb 1.3)

O homem não foi destinado a viver como escravo no mundo, mas foi destinado para caminhar na liberdade que Jesus Cristo conquistou, de desgraçado para agraciado. O apóstolo que foi arrebatado e viu o céu ainda em vida, mesmo sendo um cristão, ele era um miserável. O dicionário revela o que miserável significa: desprezível, torpe, vil, insignificante, reles, ínfimo, desgraçado, infeliz, mísero. Paulo teve essa percepção: mesmo sendo cristão era um desgraçado pecador. Para ser agraciado pelo Senhor, ele precisava permitir ser afligido por um mensageiro de Satanás, esbofeteado para que não se exaltasse pela grandeza das revelações que recebeu. Paulo era um mero humano, apenas salvo somente pela Graça imerecida de Deus, e dependia unicamente do Espírito Santo para continuar debaixo da Graça. Todos carregam na alma lodo do pior tipo: a hipocrisia. “Miserável homem que sou”…

“MÔNICA DUZIAN”

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *