“ALÉM DE SI MESMO”

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. (Jo 1.1)

Falar do Verbo é falar da Razão, não somente da razão humana, mas da Razão de todas as coisas, da harmonia que rege o mundo: uma linguagem comum que facilita a primeira descrita. Tudo o que pertence ao mundo dos sentidos é feito de um material sujeito à corrosão do tempo. Ao mesmo tempo, tudo é formado a partir de uma forma eterna e imutável. Adão estava altamente consciente da sua tarefa que envolvia a execução da sua missão no Éden. Ele exercia um cargo de confiança, e administrava o Paraíso. É no significado que o pensamento e o discurso se unem em pensamento verbal. A função primordial da linguagem é a comunicação.

A comunicação por meio de movimento expressivos, observada entre os animais irracionais, não é tanto comunicação, mas antes uma difusão de afeto. O ganso atemorizado que de súbito se apercebe dum perigo e alerta todo o bando com os seus gritos, não está dizendo aos restantes o que viu, antes está contaminando os outros com o seu medo. A transmissão racional, intencional de experiências e de pensamentos a outrem exige um sistema Mediador. A comunicação real exige o significado, isto é, a generalização, tanto quanto os signos. Todavia, se o homem não tivesse a alma racional e se esta não tivesse a possibilidade de tornar-se pura, o homem se assemelharia aos animais irracionais, se esquivaria da capacidade humana, e abandonaria o próprio ser.

E foi justamente, o que ocorreu com o primeiro homem. Adão se desfez da responsabilidade de criar a si mesmo, se esquivou da responsabilidade de ser um instrumento universal em sua Liderança, e por não poder enfrentar a responsabilidade de domínio próprio, pela sua incompetência de liderança, não conseguiu superar a si próprio, quebrando a sua dinâmica de fortaleza física e psicológica. Os pensamentos são onde se dão as maiores batalhas. Quando se vence a vontade no pensamento, se vence também do lado de fora, e Adão sucumbiu entre os animais, a gênese do significado das Palavras, não tendo ninguém para culpar além de si mesmo. O Homem, um instrumento Universal, o Logos utilizado para todos os tipos de situações, a transmissão racional, intencional de experiências e de pensamentos, se atemorizou como o ganso, de súbito se apercebeu do perigo, e contaminou todas as ovelhas do aprisco, conduzindo-as ao abismo.

O Verbo, então, é o Homem que faz inteligível o incompreensível, a Mente de Deus. O Verbo denota os seus movimentos, por isso sua característica de “Dinamicidade”. A ideia é de que o sentido da vida, não é algo para procurar, mas algo para se criar, e o homem cria a sua própria vida. Adão tornou-se outro objeto, se desfazendo da responsabilidade de domínio próprio, e isto ajuda a compreensão da tensão entre o espírito e a carne. Portanto, Verbo (Logos), destina no seu conteúdo que está destinado a guiar a reflexão para duas realidades perfeitamente delimitadas: a própria vida, tal como cada um tenha sido capaz de vivê-la, e uma nova vida, plena de possibilidades. Quando o trauma é transformado, uma das dádivas da cura significa a admiração e reverência pela vida, como a que as crianças tem. O gesso não cura o osso quebrado; fornece um meio físico de apoio que permite que o osso inicie e complete seu próprio processo inteligente de cura.

Muitas pessoas preferem ser cuidadas e protegidas a enfrentar os riscos de lutar suas próprias batalhas. Os sábios punham no topo da agenda o abandono do egoísmo e a espiritualidade da compaixão. Concentravam-se naquilo de onde as pessoas deviam transcender-se: a estupidez, o egoísmo, o ódio e a violência.  Se as pessoas transcender-se, podiam pôr limites em e se tornarem hábeis no seu cerne espiritual. Diferente de todo o restante da criação, onde o Criador utilizava o termo “haja”, com o Homem o Senhor demonstra profunda consideração e planejamento, e emprega a frase: “Façamos o homem à Nossa Imagem, conforme a Nossa Semelhança”. A expressão “E domine o Homem”, o sistema de reconhecimento automático da voz, registrando as frequências sonoras que se emite quando se pronuncia uma palavra, isso dá a entender que há uma obra separada para cada homem, há um limite estipulado para cada existência humana, pois, o homem vai somente passar pelo mundo, não se está aqui para sempre. Tudo está em constante movimento, nada dura para sempre.

Qual é, no entanto, a natureza do “eu” verdadeiro que o homem ousado procura? Entrar em sintonia com algo de valor, de ter a capacidade de crescer por si mesmo, assimilar o passado, cicatrizar feridas, preparar perdas, reconstruir as formas destruídas para treinar a concentração e perseverar na capacidade de acumular forças.

O Líder deve não só pastorear sua própria alma, mas ter consideração constante pelas almas daqueles que estão sob seus cuidados, de educar-se para ser educador. Isso significa, basicamente, estar à altura daquilo que se ensina. O Líder precisa ser mestre e escultor de si mesmo em primeiro lugar, pois, para pastorear, têm de cuidar das ovelhas para que não se machuquem. “Sê sóbrio em tudo, vigiai”. (2 Tm 4.5) O Pastor deve olhar em sua volta e se conscientizar das ilusões que associou ao alcance dos objetivos materiais, e ir para um objetivo espiritual. As possibilidades de sucesso externo são limitadas, e um dirigente com pânico precisa orientar sua alma de maneira diferente, para desbloquear o impedimento que faz fluir a força. O homem foi criado para ir além de si mesmo. Tem coração aquele que conhece o medo, mas o domina. Aquele que vê o abismo altivamente, mas com olhos de águia, que agarra o abismo com garras de águia: “Mas aqueles que esperam no SENHOR renovarão suas forças. Voam alto como águias; correm e não se fatigam, caminham e não se cansam.”(Is 40)

Buscar a sabedoria é a essência e o objetivo da vida de um Líder. Provérbios é composto por “instruções”, formuladas como conselhos de um professor ou pai endereçado a um estudante ou criança, Provérbios são “ditos dos sábios”, que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida diária. Possuem um sentido lógico, e se faz provérbios para praticamente todas as situações. Nos “Ditos de Agur”, Deus é a Palavra Personificada: “Sou o mais tolo dos homens; não tenho o entendimento de um ser humano. Não aprendi sabedoria, nem tenho conhecimento do Santo”. (Pv 30.1) Sendo Agur reconhecido como um sábio, ele diz algo surpreendente ao confessar que é pequeno demais diante do conhecimento de Deus.

O contexto do capítulo demonstra que ele, pelo crescente conhecimento do SENHOR, produz em seu coração, um crescente sentimento e consciência de humildade diante do Soberano Deus. A partir de então, ele lança um desafio aos seus alunos com perguntas: “Quem ajuntou nas mãos os ventos? Quem tem a capacidade de prender todas as águas na própria roupa? Quem subiu aos céus e desceu”? A interpretação que Agur oferece aos seus alunos, as ameaças externas não lhe parecerão mais assustadoras e tão gigantescas, porque eles extraem a suas forças em Deus. Por isso, eles respondem: “Ninguém é como o Nosso Deus”. Na Bíblia, o livro que exalta o Mediador dos dois mundos é o Evangelho de João. A Gênese do significado das Palavras é um instrumento universal da comunicação “Verbal”. E só existe um Mediador entre Deus e os homens: “Jesus Cristo”. As ideias perfeitas estão acima do mundo sensorial, e o Verbo é um atributo de Deus. O Verbo se fez carne para tornar o homem novamente participante do Mundo das Ideias. Tente tirar os arbustos de hera e as touceiras de bambu de seu quintal. Não os corte, mas arranco-os, pois o pânico precisa ser abordado no nível das raízes. O trauma é uma raiz profunda, e a última volta do arbusto de hera sufocará a Árvore. A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações.

“MÔNICA DRUZIAN”

 

 

 

 

 

 

 

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